Minha mente é um dos lugares para onde eu ia quando
queria me afastar do mundo real. Bastava fechar meus olhos e pronto, lá estava
eu num lugar onde nada supostamente poderia me alcançar. Já falei disso no post
sobre dificuldade de aprendizagem, ansiedade e medo.
Acredito que todos nós, vez ou outra, sonhamos acordados.
Afinal, quando somos crianças e brincamos com nossos brinquedos, isso envolve
certa capacidade de abstração e distanciamento da realidade. Mas e quando
ansiamos pelo momento em que, mesmo no meio do dia, deitaremos na cama,
cobriremos o rosto com o travesseiro e viajaremos para o “mundo das maravilhas”?
E quando precisamos fechar os olhos para nos sentir um pouco melhor?
É engraçado, pois minha mente existia numa constante
antítese na qual, sonhando acordado, eu era o herói ou o desbravador de mundos,
enquanto que de olhos abertos eu vivia numa constante falta de motivação. A
escola era o lugar onde eu me sentia cercado e a minha casa era o supremo
tédio. Não sempre, claro, apenas quando eu precisava ficar sozinho por muito
tempo.
Embora sonhando acordado as coisas fossem boas, dormindo
era diferente. Claro que nem chegava perto do que se tornaria pouco tempo depois,
mas depois falarei sobre isso... Acontece que minhas noites “eram” ruins. Não
dormia bem e sempre tinha pesadelos. Eu coloquei as aspas na palavra ”eram”, pois
até hoje tenho pesadelos ou sonhos completamente malucos, todas as noites. Acho
que isso merece um post e mais tarde falarei sobre os pesadelos.
Dizem que todo mundo sonha todos os dias e que o que acontece
é que nos esquecemos. Mas eu sempre lembro que tive algum pesadelo ou, pelo
menos, algum sonho maluco, exceto quando bebo muito, coisa que não é muito
comum.
Enfim... Minha infância inteira foi uma fuga, seja me
excluindo de todas as atividades da escola, mergulhando em minha mente ou
negando tudo o que me afligia, como se fosse possível simplesmente esquecer.




